
Imagem de uma estante de livros com pessoas explorando durante a Bienal do Livro de São Paulo.
Dario Mantovani

Imagem de uma estante de livros com pessoas explorando durante a Bienal do Livro de São Paulo.

Nos últimos anos, a indústria espacial testemunhou uma mudança sísmica impulsionada pela miniaturização de satélites, em particular os CubeSats (unidades cúbicas de $10 \times 10 \times 10 \text{ cm}$). Esta tecnologia democratizou o acesso ao espaço, permitindo que universidades, pequenas empresas e até mesmo nações em desenvolvimento lancem suas próprias missões de baixo custo. No entanto, essa proliferação sem precedentes de pequenos objetos em órbita baixa da Terra (LEO) está levantando sérias preocupações sobre a sustentabilidade do ambiente espacial e o crescente risco de colisões catastróficas. Historicamente, o lançamento de um satélite era um empreendimento multibilionário, reservado a grandes agências governamentais como a NASA ou a ESA. Hoje, graças à padronização e ao uso de componentes eletrônicos off-the-shelf (COTS), o custo para construir e lançar um CubeSat pode ser de apenas dezenas de milhares de dólares. Essa acessibilidade impulsionou um boom de inovação. Milhares de CubeSats e satélites de pequeno porte estão sendo utilizados para uma vasta gama de aplicações, incluindo monitoramento climático de alta resolução, imagens agrícolas, serviços de comunicação de emergência, Internet das Coisas (IoT) global e, crucialmente, o rápido desenvolvimento de mega constelações de comunicação, como a Starlink da SpaceX e a OneWeb. A promessa dessas mega constelações é levar internet de banda larga de baixa latência a qualquer ponto do globo. A Starlink, por exemplo, já tem milhares de satélites em órbita, com planos para dezenas de milhares a longo prazo. Esse volume massivo de lançamentos representa um desafio duplo. 1. O Risco de Colisão O primeiro e mais premente desafio é o lixo espacial. Atualmente, a rede de rastreamento militar dos EUA (USSPACECOM) monitora mais de 30.000 pedaços de lixo espacial com mais de $10 \text{ cm}$ e milhões de fragmentos menores que, devido às velocidades orbitais extremas (cerca de $27.000 \text{ km/h}$), podem causar danos significativos ou até mesmo destruir um satélite ativo. A densidade de objetos em LEO atingiu um ponto crítico. A probabilidade de uma colisão em cascata, conhecida como Síndrome de Kessler, está aumentando. A Síndrome de Kessler postula que, se a densidade de objetos em órbita exceder um limite crítico, uma colisão iniciará uma reação em cadeia, onde cada impacto gera mais detritos, tornando certas órbitas inutilizáveis por gerações. A proliferação descontrolada de satélites de mega constelações, mesmo com o uso de propulsores para manobras de desvio, multiplica a complexidade da gestão de tráfego espacial. 2. A Necessidade de Regulamentação e Mitigação Em resposta, agências e reguladores estão lutando para implementar políticas de mitigação. A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA e a União Internacional de Telecomunicações (UIT) exigem cada vez mais que os operadores demonstrem planos credíveis de desórbita para seus satélites no final de suas vidas úteis, geralmente em um prazo de cinco a 25 anos. Existem duas estratégias principais de desórbita: Passiva: O satélite é lançado em uma órbita baixa o suficiente para que a resistência atmosférica residual o arraste para a reentrada e queima segura na atmosfera. Ativa: O satélite usa seus próprios propulsores para realizar uma manobra controlada de descida. No entanto, nem todos os pequenos satélites possuem sistemas de propulsão ou gerenciamento de energia robustos o suficiente para garantir uma desórbita ativa. Um satélite que falha em órbita se torna instantaneamente um pedaço de lixo espacial incontrolável. A longo prazo, a sustentabilidade da exploração espacial dependerá do desenvolvimento e implantação de tecnologias ativas de remoção de detritos. Iniciativas globais estão em andamento para testar tecnologias como redes de captura, arpões e até mesmo ímãs espaciais para remover lixo espacial antigo e inoperante. A era dos satélites miniaturizados trouxe benefícios inegáveis para a humanidade, mas exige uma responsabilidade espacial global sem precedentes. A capacidade de lançar milhares de objetos ao espaço deve vir acompanhada da capacidade e do compromisso de retirá-los, garantindo que as futuras gerações também possam usufruir da órbita da Terra sem o risco de serem atingidas por escombros da nossa era de ouro espacial.


O Festival de Cinema de Gramado, um dos mais renomados eventos cinematográficos da América Latina, anunciou hoje sua aguardada lista de filmes que serão exibidos em sua próxima edição. O evento, que acontecerá de 15 a 21 de agosto, contará com uma seleção diversificada de produções nacionais e internacionais. A programação deste ano inclui obras de diretores emergentes e consagrados, prometendo uma experiência enriquecedora para os amantes do cinema. Entre os destaques, estão filmes que abordam temas sociais relevantes, dramas emocionantes e documentários inovadores. Além da exibição de filmes, o festival promoverá debates e workshops com cineastas e críticos renomados, oferecendo uma oportunidade única para a troca de ideias e experiências. A cidade de Gramado, com seu charme característico, mais uma vez se prepara para receber visitantes de todo o mundo.
